diHITT - Notícias GrogueBar Deixe seu comentário! :)

GROGUEBAR -> Pirates of underground!

19.2.10

A certidão de óbito do PT


André Singer, ex-porta-voz do governo Lula, identificou, em entrevista à Revista Época , os fatores que levaram à eleição do primeiro presidente proletário do Brasil. Em síntese, sustenta que, historicamente, o PT é um partido ligado à classe média, cujos simpatizantes são, em sua maioria, servidores públicos, profissionais liberais e operários. Inobstante o clássico discurso de inclusão social, a legenda jamais conseguira alcançar os corações e mentes do eleitorado das classes D e E, os quais continuavam a votar em políticos populistas de direita. A virada aconteceu em 2002, quando uma reformulação na imagem do atual presidente passou a apresentá-lo como um lutador oriundo da miséria que superou as vicissitudes da vida, ao invés de um baderneiro a querer desconstruir as regras do país. Histórias de superação sempre acalentaram os brios dos povos latino-americanos, para quem a ascensão social é a prometida Canaã. No entanto, ao menos no Brasil, o pobre é um conservador em matéria econômica, poupador por vocação e arredio a grandes intervenções na ordem vigente. Pois foi o “Lulinha Paz e Amor” de Duda Mendonça que falou com essa parcela da população, acarretando as acachapantes vitórias do petismo sobre os tucanos nos últimos dois sufrágios.

Ocorre que, após quase oito anos, o PT não logrou construir um sucessor para seu popular líder, sendo que nomes como José Dirceu e Antônio Palocci estiveram à volta de escândalos públicos, inviabilizando-se perante a opinião pública. Isso acarretou o cenário atual em que o partido deposita todas suas fichas em Dilma Roussef, confiando cegamente na transferência de votos do político mais amado de nossa história à candidata que ele fabricou. Todavia, a atual Ministra da Casa Civil não encarna os ideais que pautaram o petismo, sejam os valores sobre os quais foi fundando há 30 anos, ou mesmo o pragmatismo do Campo Majoritário, responsável pela atual roupagem da sigla. O que ela representa, em verdade, é esse movimento a que se tem apelidado “lulismo”. O lulismo faz com que partidos orbitem sobre a figura popular do presidente com o simples objetivo de manter a continuidade de um grupo político no poder, sem a preocupação com programas de governo ou ideais. No nosso cenário político, tal é facilitado pela ausência total de programa por parte dos partidos de oposição. Preocupados apenas em denunciar a corrupção da situação, esforçam-se em jogar para debaixo do tapete a própria sujeira que produzem nos governos estaduais, olvidando de elaborar propostas para seduzir os eleitores.

Todavia, mais do que os oposicionistas, a maior vítima do lulismo é o próprio PT, cujos políticos de gabarito são escanteados, a fim de proporcionar holofotes aos “neolulistas” do PMDB e outras siglas do consórcio governista, sepultando definitivamente aqueles valores de trinta anos atrás. Não foi por outra razão que figuras como Heloísa Helena, Marina Silva e Fernando Gabeira migraram para legendas de ideologias mais sólidas. Setores do próprio partido se deram conta desse fator, desfraldando uma faixa no congresso nacional do partido com os dizeres: “Um verdadeiro governo do PT: 40 horas e estabilidade no emprego; Petróleo 100% estatal; Fim do superávit primário; Retirada das tropas do Haiti; Candidatos próprios a governador”. É de se imaginar se alguma dessas propostas são sucetíveis de acatamento pelo atual governo.

Concretizada a vitória de Dilma nas eleições deste ano, estará assinada a certidão de óbito do Partido dos Trabalhadores, com a inauguração de uma nova fase populista no Brasil. Essa, caso repetido o que ocorreu com o “peronismo” argentino, mais do que as três décadas previstas por Singer, poderá prevalecer por mais de meio século
.

Marcadores: , , ,

29.1.09

Obama e a América atrasada.



Obama e Lilly Ledbetter (e), a Maria da Penha trabalhista norte-americana.


Barack Obama - o líder mundial com o nome mais sonoro desde Benjamim Netanyahu - assinou hoje o que foi classificado com uma "lei histórica", populando as páginas iniciais dos principais noticiários eletrônicos pelo mundo. Trata-se de algo como uma "Maria da Penha" para proteger as mulheres americanas onde elas são mais violentadas: o bolso.

O diploma, que garante a igualdade salarial entre trabalhadores e trabalhadoras, foi batizado de "Lilly Ledbetter", ex-empregada da Goodyear. Irresignada com a diferença de 6 mil dólares entre sua remuneração e a do empregado masculino pior remunerado de seu escalão, a militante foi até a Suprema Corte dos gringos denunciar tal discriminação, de onde saiu derrotada.

A democracia melhor consolidada do globo demonstra como consegue ser tão atrasada no que concerne ao tratamento dos seus cidadãos. Embora possa se argumentar que efetivamente haja discriminação quanto ao sexo nas relações trabalhistas e sociais brasileiras, a igualdade de gêneros é direito consagradíssimo em nossa Constituição.

A notícia me fez lembrar do bombástico documentário recente do ultra-polêmico Michael Moore. Em "Sicko", o cineasta faz duras críticas ao sistema de saúde estadudinense, único Estado ocidental a não garantir aos seus cidadãos acesso à assistência médica integral. Como países como França, Inglaterra, Canadá e até Cuba garantirem atendimento hospitalar aos seus compatriotas, enquanto os ianques exigem dinheiro na mão para prestar o que deveria ser obrigação de qualquer democracia pós Revolução Francesa?

Por mais que o presidente eleito para "mudar a América como vem mudando o mundo" demonstre gana em estabelecer um governo vanguardista, existe um grande caminho a percorer. Por enquanto, fiquemos no aguardo da próxima medida histórica do superpresidente. Seria o casamento gay?

Marcadores: